Organizar a juventude em Brasília para lutar pela educação pública, gratuita e para todos

Nos últimos anos se aprofundaram os ataques à educação. Desde a educação primária ao ensino superior, a educação pública vem sendo desmontada para atender aos interesses da burguesia. Os governos, seja à direita ou à esquerda tradicional, estão juntos nesse processo de destruição do bem público. O capitalismo se encontra em uma crise contínua e a educação é uma fatia da propriedade pública que os burgueses não podem deixar livre do seu domínio. O Novo Ensino Médio, os constantes cortes de verbas para a educação e a militarização das escolas servem de ferramenta para isso, entretanto, todo movimento gera a sua negação.

Os ataques da burguesia sobre os estudantes têm gerado um sentimento de ódio profundo na juventude, e essa tem se colocado como ponta de lança na luta por um novo sistema.

Em Brasília, sob aprovação do governo de Ibaneis Rocha, a militarização nas escolas avança nos bairros pobres. Esses agentes da burguesia tentam combater o sentimento de rebeldia da juventude criminalizando suas expressões culturais, individuais e políticas. A PM nas escolas serve para aumentar a opressão contra os estudantes com ideais revolucionários, cortando qualquer resquício de pensamento crítico.   

Junto à repressão por parte do Estado burguês, esse ódio tem sido representado pelas direções de entidades que se colocam como defensoras dos estudantes, como a UNE e a UBES. As direções dessas entidades têm constantemente desmobilizado o movimento estudantil e abandonado a construção pela base. Temos a necessidade de formar um movimento estudantil mobilizado, independente do governo e do Estado e com ação concreta nas demandas cotidianas dos estudantes.

 Um movimento estudantil mobilizado com influência na base é de extrema importância para representar os interesses da juventude, combatendo a lógica de educação opressora voltada para os com interesses burgueses de formar mão-de-obra alienada e barata. Isso sem perder a perspectiva da construção de uma nova sociedade em um regime socialista. A verdadeira liberdade para uma educação humanizada só pode ser concretizada dentro de uma nova lógica de sociedade. Em que a educação não seja mercadoria para a geração de lucros para poucos. Nossa tarefa é construir ligações entre as lutas cotidianas e a luta revolucionária contra o capitalismo. Esse deve ser o papel do movimento estudantil.      

Historicamente podemos perceber o papel dos estudantes de todos os níveis de ensino na construção das organizações de luta para a classe proletária. O próprio Partido Bolchevique, que realizou a grande revolução de nossa classe, por muito tempo foi chamado de “o partido dos estudantes”. No Brasil, a partir da formação de organizações e grêmios estudantis secundaristas, foi fundada em 1902, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). O movimento fortaleceu diversas lutas contra a ditadura de Vargas, pela obrigatoriedade do ensino básico, contra taxas escolares e pelo transporte público, e atuou até mesmo na campanha “o petróleo é nosso”, inspirando diversos estudantes a lutarem pelos seus direitos, até mesmo diante da ilegalidade dos movimentos estudantis durante a Ditadura Militar, mostrando a força da que existe na juventude revolucionária organizada.

Entretanto, com o tempo, esse movimento foi se degenerando. Sendo cooptado pelas burocracias reformistas, como PT e PCdoB, passou a se atrelar ao estado burguês, se distanciando de uma luta revolucionária e independente pela educação pública gratuita e para todos e por uma nova sociedade. A tomada de decisões, foi retirada dos próprios estudantes. Adotando um caminho de “luta” institucional que nada conseguiu combater os ataques já citados, como o programa do Novo Ensino Médio, corte de gastos e da militarização das escolas públicas, e até mesmo a intervenção do Brasil Paralelo nas escolas primárias.  Isso prova a necessidade de retomarmos os métodos de organização pela base, independência política e ação revolucionária.

 Toda uma nova geração de jovens se aproxima das ideias do comunismo, e frente aos ataques da burguesia e traição das organizações reformistas, se radicalizam. Precisamos organizar esse ódio através de ferramentas políticas que sejam fruto da luta e organização dos próprios estudantes.

 O momento para mudar o mundo é agora! Não temos nada a perder, mas muito por ganhar. Não vamos ficar parados esperando que esses velhos burgueses e burocratas destruam nossa educação, nossas vidas e nosso mundo.  Precisamos organizar a juventude estudantil disposta a lutar nas escolas, e reconstruir os grêmios e/ou fundar onde ainda não existir. Temos que transformar a rebeldia em ação política e revolucionária. Nós da Juventude Comunista Internacionalista, convidamos todos a participar dessa construção. Se está disposto a organizar a sua luta e construir um grêmio em sua escola, junte-se a nós!

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