Todo apoio à greve dos estudantes e professores da UnDF! Pela federalização de todas as universidades privadas! 

Na última quarta-feira, dia 16 de março, teve início, na recém estabelecida Universidade do Distrito Federal (UnDF), uma mobilização por parte dos estudantes e professores. Após assembléia geral dos estudantes convocada pelo Diretório Central Acadêmico (DCA), com adesão oficial dos professores através da sua seção sindical, ligada ao ANDES, a mobilização se organizou em uma greve de ocupação. O motivo principal foi a transferência de grande parte dos cursos ministrados no campus Lago Norte da universidade, para um novo prédio alugado em Ceilândia, do outro lado do Distrito Federal. 

A ocupação que durou até a sexta-feira, dia 20 de março, não conseguiu contar com a adesão massiva dos estudantes, e os companheiros que mantiveram a ocupação não receberam nenhum auxílio da União Nacional dos Estudantes (UNE). Todavia, a questão vai além de uma particularidade exclusiva da UnDF, é uma questão de todos os estudantes, sejam de universidades públicas ou privadas, assim como, é a expressão de um movimento maior da burguesia, que hoje detém a educação privada. Desse modo, os velhos “tubarões do ensino” e os políticos privatistas, como o governador Ibaneis Rocha, promovem uma onda de privatizações e concessões à iniciativa privada por toda a cidade.

Desde a efetivação de sua fundação, em 2021, a UnDF está submetida a questões relacionadas à não existência de espaços físicos para o estabelecimento dos campus. Os poucos espaços existentes estão longe de conseguir sustentar o número atual de estudantes. No campus de Samambaia, os estudantes dos cursos de nutrição e psicologia sequer tem um espaço fixo, sendo obrigados a se deslocar para outros campi. Ademais, outras questões apontadas em assembleia por estudantes e professores são: a constante perseguição sofrida por aqueles que se organizam politicamente; as péssimas condições de trabalho para os docentes e a falta de comunicação com a reitoria.

A nova instalação será em um prédio de propriedade do Centro Universitário IESB, grupo privado de educação que há tempos vem enfrentando fortes questões financeiras. A instalação da UnDF no local vai render ao grupo privado um aluguel de R$110 milhões em um contrato de 5 anos. Este valor representa metade do orçamento destinado à instituição pública. Além disso, estudantes relataram que os programas de permanência, como bolsas e auxílios estudantis, já estão sendo afetados. 

Isso significa mais transferência de dinheiro público para o bolso da burguesia da educação privada. As instituições que já recebem milhões de dinheiro público através de programas como Fies e Prouni, e mantém dívidas gigantescas com o Governo do Distrito Federal. Para além das dívidas e transferência de dinheiro público ao setor privado, temos os casos de universidades falidas, como o grupo JK, que mantém um terreno no centro do Gama, completamente abandonado, para a especulação imobiliária. 

Enquanto isso, Ibaneis e Celina avançam na venda de terrenos públicos para empreiteiras privadas, como o terreno da Serrinha do Paranoá ou o terreno em torno da antiga Rodoferroviária, o qual foi avaliado em R$40 bilhões , e que o governo Lula está cedendo à iniciativa privada. Não é uma questão de falta de dinheiro ou falta de espaço, a questão está nos interesses dos governos entreguistas à serviço da burguesia nacional e internacional.

Portanto, a greve na UnDF não é um raio em céu azul, ela é o acúmulo de um série de problemas e ataques que estudantes e trabalhadores vêm sofrendo na universidade, e é uma expressão de toda a podridão do sistema capitalista em seu estágio imperialista, no qual o dinheiro público engorda a burguesia e é transferido para a indústria da guerra, alimentando as forças destrutivas, ao invés de garantir serviços públicos para toda a classe trabalhadora e juventude.

Entre os principais pontos de pauta de reivindicações, além do cancelamento do contrato de aluguel, estão o reajuste de 10% no salário-base dos docentes, a construção de um Restaurante Universitário nos campi, a inclusão de um Auxílio Alimentação, melhorias na estrutura das unidades, como a construção de laboratórios, o aumento da gratificação por magistério superior para 60% do salário-base, a redução do tempo necessário para alcançar o topo da carreira, etc.

Os estudantes da UnDF demonstraram o único caminho para combater os avanços do capital sobre os serviços públicos, e garantir uma melhoria nas condições de estudos e trabalho: A ação política, com independência de classe e união entre trabalhadores e estudantes. Contudo, é preciso romper com o imobilismo da direção da UNE, que atualmente arrasta todo o movimento estudantil, e com o vanguardismo que se mostra presente em ações de “pequenos grupos de resistência”. Não basta exigir mais participação estudantil nas decisões da universidade; Não basta combater para que a universidade tenha um espaço com aluguel mais barato; Não há diálogo com os “tubarões da educação privada”.Precisamos organizar os estudantes de todo o DF e do Brasil, universitários e secundaristas, em torno de um programa radical de mudança da educação em nossa cidade, e em todo o Brasil. Um programa que possa garantir uma educação pública, gratuita e para todos, com espaço digno para estudar e trabalhar. Nós da Juventude Comunista Internacionalista (JCI), prestamos toda a solidariedade aos estudantes e professores em greve, e nos colocamos em movimento por uma solução revolucionária para a situação. É preciso avançar na mobilização:

  • Pelo fim de todas as privatizações no DF!
  • Pela federalização, e desapropriação de seus prédios, de todas as Universidades privadas que recebem dinheiro público!
  • Pelo fim a Dívida Interna e Externa! Todo dinheiro necessário para saúde, educação e serviços públicos!
  • Todo apoio à greve, e a ocupação, dos estudantes e professores da UnDF!
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