Maiakóvski em cartaz em São Paulo

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A vida do poeta que encantou a juventude russa revolucionária está em cartaz.

‘A plenos pulmões’ está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Nunca fui dada à crítica, sobre isso, sou muita empática com poema do Quintana:

‘Não me ajeito com os padres, os críticos e os canudinhos de refresco: não há nada que substitua o sabor da comunicação direta’.

Gosto muito de arte, de apreciá-la. Mas, ontem, senti vontade de contar o que vi. Deve ser dessas coisas humanas: desejo de compartilhar. Talvez alguns vejam como crítica, mas prefiro atribuir o nome de divisão de bens.

‘A plenos pulmões’ é uma peça que vale muito a pena ser vista. O projeto é audacioso. No país em que se escarrou um presidente, em que querem amordaçar as escolas, o Poeta da Revolução é ressuscitado para o teatro, sem travas nem zelos:

‘Ressuscita-me,
nem que seja só por que te esperava
como um poeta,
repelindo o absurdo quotidiano!’

A peça leva o nome de um famoso poema de Maiakóvski, relembra sua trajetória, é fiel à vivacidade de sua obra. Um roteiro elegante, onde a Revolução ocupa seu devido papel sendo o clímax da peça, como foi na vida daquele que leva a alcunha de Poeta da Revolução.

Os atores estão numa ótima performance e o conjunto da obra consegue trazer para ordem do dia o significado das comemorações do 100 anos da Revolução Russa. Num toque contemporâneo, a Venezuela é citada. E, como não poderia ser esquecido, estão presentes na obra o exílio de Trotsky, a morte de Lênin e o terror causado por Stalin até o suicídio de Maiakóvski. Se eu tivesse compartilhando a produção da peça, incluiria três coisas que senti falta nessa excelente produção, o hino da Internacional e o lenço e os cartazes de Maiakóvski. No mais, ‘Ressuscita-me para que ninguém mais tenha que sacrificar-se por uma casa, um buraco. Ressuscita-me para que o Pai seja ao menos o Universo e a Mãe, no mínimo a Terra’.

A peça está em cartaz até 18/09, a direção e o roteiro é de Marcia Abujamra.

Maritania Camargo militante da Esquerda Marxista em Joinville, SC é professora de língua portuguesa e literatura.

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