Pelo direito às aulas 100% presenciais no Centro Universitário Assunção! Pelo fim da precarização do ensino superior!

No dia 21 de fevereiro de 2025, o Centro Universitário Assunção, mantido pela Fundação São Paulo, encaminhou via e-mail para os estudantes do Assunção um comunicado sobre a “novidade” das aulas 100% on-line às sextas-feiras. O comunicado, entretanto, não aparece nas redes sociais do Assunção, no seu site oficial e nem mesmo na comunidade do whatsapp dos cursos de graduação. O Assunção comunica os estudantes esbanjando modernidade, praticidade e liberdade, mas, na verdade, esconde a concretude do significado dessa imposição da reitoria: a precarização do ensino, corte de gastos institucionais, abertura para o avanço da modalidade de 40% EaD (Ensino à Distância) e o descaso com o conjunto estudantil do centro universitário.

No final do segundo semestre do ano passado (2024), a instituição realizou a Pesquisa Interna Centro Universitário Assunção, sob gestão da empresa Hoper Educação, com os estudantes de graduação. Entretanto, tal pesquisa teve caráter claramente tendencioso: em nenhum momento foi dito ao conjunto estudantil qual era o objetivo da pesquisa. Além disso, a instituição utilizou-se de um método oportunista, concedendo horas complementares àqueles que respondessem a pesquisa. Pior ainda, na pesquisa em questão sequer havia a pergunta fundamental: Você é a favor ou contra às aulas on-line no seu curso de graduação? Mesmo que essa pergunta estivesse entre as demais, ela apenas serviria para legitimar pela comunidade a decisão arbitrária da reitoria e da fundação.

Vale ressaltar que a imposição das aulas on-line às sextas-feiras abre um precedente perigoso para que a instituição implemente a Portaria de nº 2.117, de 6 de dezembro de 2019, do Ministério da Educação (MEC). Com ela, os cursos presenciais de graduação podem ser ofertados com 40% das aulas na modalidade EaD, tornando-os semipresenciais. Hoje, esse é um dos principais modelos de precarização da educação e do ensino superior no Brasil, sobretudo  na rede privada de ensino, cujo modelo tem atendido amplamente os interesses econômicos dos grandes conglomerados educacionais, como Kroton, Lemann e outras.

No capitalismo, os produtos ou serviços são tratados como mercadoria cujo objetivo é obter lucros, pouco importa aos capitalistas os efeitos dessa lógica na vida da classe trabalhadora e da juventude. Nesta lógica do capital, invariavelmente, sucateiam-se os meios de transporte, a saúde e a educação, por meio das privatizações, como a destruição da escola pública, promovida pelas parcerias público-privadas do Novo Ensino Médio e as privatizações das linhas 8 e 9 da CPTM em São Paulo.

O ensino superior é, portanto, alvo dos grandes capitalistas e das políticas liberais que o exploram sistematicamente. Em 2023, para que tenhamos uma ideia, o Censo da Educação Superior apontou que havia naquele período mais de 2.260 instituições de ensino superior privadas no Brasil. Além disso, o mesmo Censo informava que as instituições privadas concentravam quase 90% de matrículas do ensino superior.

Todavia, esses dados de 2023 não surpreendem, pois, de acordo com dados divulgados pelo INEP em 2019, 88,4% das instituições de ensino superior no Brasil eram privadas, sendo apenas 304 públicas, cujo acesso é brutalmente limitado pelos processos seletivos dos vestibulares. Além das universidades serem majoritariamente privadas, as instituições realizam o reajuste da mensalidade semestralmente, ou seja, ao final do curso os estudantes terminam sua graduação pagando um valor absurdamente alto, o que não raramente, torna-se um importante obstáculo para a conclusão do curso. Não obstante, as instituições através da imposição da modalidade EaD nos cursos de graduação intensificam ainda mais a precarização do ensino superior desconsiderando uma série de aspectos práticos da vida do estudante-trabalhador que não pode estudar com pleno foco em casa, devido as pressões domésticas do lar, poucos recursos tecnológicos entre outros.

A lógica capital de lucratividade a qualquer custo vem atacando, cada vez com mais frequência, a vida dos estudantes. Atualmente, a maioria das entidades de ensino superior ofertam os cursos de graduação, no formato semipresencial (40% EaD).  Inúmeras outras faculdades enfrentam a mesma problemática: Cruzeiro do Sul, Estácio, Anhembi-Morumbi, UNIP, UNINOVE e UNIASSELVI. Algumas dessas faculdades, como a UNINOVE, transforma os cursos em 100% EAD nos últimos semestres, prejudicando os estudantes que estão nas matérias finais e em entrega de TCC.

O Centro Unversitário Assunção era uma das poucas instituições privadas que ainda mantinha as aulas 100% presenciais, mas passa, agora, prostrar-se aos desejos do Deus mercado. Contudo, a imposição das aulas on-line não é o primeiro ataque contra os interesses do corpo estudantil. Destacamos que essa reitoria sob uso de métodos arbitrários, em 2023, suprimiu a existência do DCE, impedindo a organização do movimento estudantil e de suas entidades de representação.

O conjunto de estudantes frente ao novo ataque da reitoria, isto é a imposição das aulas on-line às sextas-feiras, não se resignou e se mobilizou, inicialmente de modo espontâneo, para encontrar alguma saída perante tal medida, ganhando, no entanto, cada vez mais a forma organizada de luta. Os estudantes do Centro Universitário Assunção e junto deles, os comunistas da Juventude Comunista Internacionalista, atuam sob os métodos de luta estudantil, portanto, organizados por meio do Movimento de Luta e Força Estudantil (MLFE) em defesa das aulas 100% presenciais e pelo fim da precarização do ensino superior.

Como já esperado, a reitoria tenta pôr fim ao movimento estudantil do Assunção através de coerção e ameaças de retirada de bolsas de estudos e exclusão de estudantes de projetos essenciais, como o PIBID, que permite que os alunos dos cursos de licenciatura tenham o primeiro contato com a docência. Além disso, vigiam pessoalmente os alunos, quando não, enviam seus olheiros para amedrontar e desmobilizar aqueles que estão se movimentando de forma organizada e 100% legítima contra as imposições da reitoria!

Os estudantes estão se organizando para reivindicar que as aulas 100% presenciais retornem na instituição e lançaram um abaixo-assinado, cujo objetivo é unificar os estudantes diante do ataque e somar forças para conquistar sua reivindicação. Se você é estudante do Centro Universitário Assunção e apoia essa luta, procure o MLFE e participe.

Nós, comunistas da JCI, declaramos total apoio à luta legítima e organizada expressa pelo MLFE do Centro Universitário Assunção, e nos colocamos ombro a ombro nesse combate. Nenhuma ameaça institucional deverá desmobilizar a luta! Diante da situação concreta, reforçamos também a necessidade de colocar em perspectiva a reconstrução do DCE pelo conjunto dos estudantes. A força do movimento estudantil está na sua unidade, na justeza de suas bandeiras e nos seus métodos históricos de luta!

  • Todo apoio ao Movimento de Luta e Força Estudantil (MLFE) dos estudantes do Centro Universitário Assunção!
  • Pelo direito às aulas 100% presenciais, pelo fim da precarização do ensino superior!
  • Tecnologia na Educação, sim. Aulas on-line, não!
  • Por uma educação pública, gratuita e para todos!

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