Um esforço internacional para reunir e organizar jovens contra a guerra e a exploração

Este relato foi publicado na edição nº18 do jornal O Comunismo. Para ler a edição completa acesse livrariamarxista.com.br ou contribua para a versão impressa com um de nossos militantes.


Entre os dias 28 e 31 de agosto, realizou-se em Paris, França, o Encontro Internacional de Jovens Contra a Guerra, organizado pela Federation of Revolutionary Youth-IV International (Federação dos Jovens Revolucionários – IV Internacional).

A Organização Comunista Internacionalista e sua juventude, a JCI, foram convidadas a participar e atenderam a esse chamado, somando-se à iniciativa dos mais de 100 jovens franceses e delegações da Palestina, Estados Unidos, Rússia, Ucrânia, México, Filipinas, Islândia, Portugal e Itália que convocaram este encontro.

A multiplicação de guerras e conflitos armados em diferentes locais no mundo é compreendida como uma única guerra do imperialismo contra os povos. Assim, a convocatória aponta para que a juventude se coloque nas fileiras operárias para lutar contra a guerra, a militarização e a exploração capitalista.

No primeiro dia do encontro, uma saudação das diferentes delegações foi apresentada sobre como lutar contra o imperialismo em todas as suas formas. É notório observar que problemas como imigração, racismo, desigualdades sociais, falta de acesso a serviços públicos, endividamento, baixos salários e desemprego são questões comuns quando se trata da situação da classe trabalhadora. Ao mesmo tempo, em diferentes países, há um aumento dos orçamentos para a assim chamada “defesa”, isto é, para a guerra e a repressão, enquanto os serviços públicos estão sob cortes e privatizações.

Em nossa contribuição, apresentamos o papel dos comunistas na luta para unificar trabalhadores imigrantes e nativos, utilizando como slogans as reivindicações por igualdade em seus direitos trabalhistas, sindicais e democráticos. Denunciamos a pressão do imperialismo para a restauração do capitalismo em Cuba e o governo títere de Delcy Rodriguez na Venezuela. Ao mesmo tempo, denunciamos também o governo Lula, que apoia o aumento de gastos militares no Brasil.

No segundo dia, a programação iniciou-se com uma homenagem dos participantes a Leon Sedov, Leon Trotsky e todas as vítimas do stalinismo. O tributo foi realizado em seu túmulo, no Cemitério Parisiense de Thiais. Sedov foi assassinado em Paris por agentes de Stalin, em fevereiro de 1938, uma das vítimas dos Processos de Moscou. Este momento serviu para preservar a memória daqueles que lutaram antes de nós e transmitir seus ensinamentos às novas gerações.

Em seguida, o debate continuou explicando o que é social-chauvinismo, uma fusão do oportunismo como a política da defesa da burguesia de seu próprio país. Para dar exemplos, a introdução apresentou a posição de diferentes partidos de esquerda na França, chamando atenção para seus diferentes discursos contra a guerra e sua prática oposta, em que, no final do dia, apoiam orçamentos para guerra. Uma segunda sessão de debates abordou a questão das mulheres na luta contra a guerra, em que foram apresentados uma série de dados sobre como a guerra afeta as mulheres e suas condições de trabalho e da vida.

No terceiro e último dia, a discussão ocorreu em três diferentes sessões. A primeira delas abordou as lições da frente única na França e na Espanha e como aplicá-las atualmente. Contribuímos com a discussão demonstrando o papel da Frente Única Anti-Fascista nos anos 1930 no Brasil que organizou a mobilização de massas para derrotar os integralistas na Batalha da Praça da Sé. Houve ainda uma interessante discussão sobre a crise do capitalismo, o uso da Inteligência Artificial e seus impactos para a crise ambiental. O encontro encerrou-se como um apelo contra a guerra e a exploração, para organizar pessoas que querem lutar para pôr fim às guerras ao redor de um Comitê da Ligação da Jovens Contra a Guerra, que vai organizar um boletim mensal para manter unido e compartilharmos as lutas contra a guerra imperialista em diferentes países, cujo próximo evento será o ato internacional contra a guerra e a exploração com participação de delegados de 48 países em novembro desse ano.

Em breve publicaremos a resolução final do encontro de jovens, bem como entrevistas que coletamos com diferentes delegações sobre a situação da classe trabalhadora e da juventude em seus países, bem como os impactos da guerra e o movimento de luta para abrir uma perspectiva para a Humanidade.

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