Todo apoio à greve dos técnico-administrativos da educação na UFMG
Erich Marques
Durante a assembleia geral de 5 de março de 2026 foi aprovada adesão à greve nacional da categoria de Técnico-Administrativos da Educação pelos profissionais da base do SINDIFES. Conforme previsto, a greve foi deflagrada em 10 de Março sob orientação da FASUBRA-Sindical. A greve paralisou os serviços administrativos não essenciais, como as bibliotecas de campus e setores como o Centro Esportivo Universitário, observando a legislação sobre o funcionamento dos serviços essenciais. Na situação atual, a paralisação não interrompeu as aulas, mas mudou a rotina universitária ao afetar os serviços de apoio, principalmente no tocante aos horários de funcionamento da biblioteca, emissão de documentos e suporte administrativo.
A única reivindicação da categoria é o cumprimento integral do Termo de Acordo de Greve de março de 2024, que deveria ter sido posto em prática até meados de 2025.
Das 16 cláusulas do acordo, 8 ainda não foram cumpridas, dentre elas a implementação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), aplicação da jornada de 30 horas, avanço das discussões sobre plantões e a reestruturação das atribuições da carreira. Os TAE denunciam também a atitude análoga à sabotagem do Ministério da Gestão e Inovação, que não correspondeu às tentativas sindicais de estabelecer diálogo e anunciou unilateralmente o encerramento dos grupos de trabalho. Para Ivanilda Reis, uma das coordenadoras gerais da FASUBRA, estabelecer uma mesa de diálogo é um dos objetivos principais da paralisação.
Até o presente momento, mais de 50% da categoria aderiu à greve em âmbito nacional, unindo-se para exigir seus direitos previamente acordados. O caráter se torna ainda mais urgente perante o claro desrespeito do MGI, falhando e omitindo-se em seu dever de honrar com o compromisso firmado por lei após a greve de 2024. Ainda segundo Ivanilda Reis, além de negligenciar metade do acordo, o MGI também altera a proposta enviada pela Comissão Nacional de Supervisão do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (CNSC/PCCTAE), causando obstruções para o avanço da luta da categoria.
Os alunos da UFMG demonstraram apoio completo às reivindicações dos técnico-administrativos da universidade, oficializado por meio de um comunicado do DCE nas redes sociais. No entanto, a direção do DCE está mais concentrada na realização das eleições da próxima gestão e em um festival cultural do que na mobilização dos estudantes em torno dos problemas de permanência e de apoio efetivo à greve dos TEAs.
Diante do claro descaso do ministério para com a categoria, a união dos técnico administrativos em educação é vital para conquistar a mudança das condições materiais de fato, não permitindo que o aparelho burocrático mantenha as reivindicações apenas no papel como é desejo da democracia burguesa.
Vale ressaltar que o atraso na implementação das medidas não é por acaso, e sim uma tentativa de cansar e semear dúvidas e incertezas não só na categoria de Técnico-Administrativos da Educação como em toda a classe trabalhadora quanto a seu próprio poder de organização e a eficiência da mobilização de classe.
Como marxistas, nós da Juventude Comunista Internacionalista prestamos todo o apoio e solidariedade à greve do Técnico-Administrativos da UFMG e demais instituições federais em sua luta e chamamos toda a comunidade acadêmica para se juntar nessa batalha que abrange não só a educação pública como a luta de classes como um todo. A luta da categoria é árdua e a democracia burguesa fará de tudo para erodir a força de vontade dos trabalhadores, mas a manutenção da greve atual é uma das provas da força do trabalhador e do poder da organização de classe quando o atual governo, claramente trai os ideais da luta de classe e se alia de forma inequívoca à burguesia.
Em relação ao movimento estudantil é preciso nacionalizar as lutas por acesso e permanência estudantil, pautas como o fim do vestibular, ampliação e melhoria das moradias e Restaurantes Universitários e auxílio de pelo menos um salário-mínimo são questões básicas para evitar a evasão dos discentes e garantir o mínimo da dignidade durante a gradução. Organize-se na JCI e venha discutir como construir essa luta na UFMG!
